Coronavírus e perda de olfato

Anosmia pode ser um sintoma em pacientes com Covid-19

O novo coronavírus (SARS-CoV-2) faz parte de uma família de vírus que causa sintomas respiratórios e tem seu nome atribuído ao aspecto de coroa, visualizado na microscopia. Os primeiros casos de pacientes com a doença do novo coronavírus (COVID-19) foram relatados na cidade de Wuhan, na China, em dezembro de 2019, e desde então cresceu exponencialmente, adotando caráter de pandemia, decretado em 11/03/20 pela Organização Mundial da Saúde – OMS.
O SARS-CoV-2 possui alta transmissibilidade, provocando uma síndrome gripal, que pode variar de leve, que é a maioria dos casos, à severa, podendo evoluir com insuficiência respiratória (pneumonia e Síndrome da Angústia Respiratória Aguda – SARA). O grupo de risco é constituído por idosos e pacientes portadores de doenças crônica ou imunodeprimidos. A taxa de letalidade da doença é significativamente maior em paciente com mais de 60 anos, por isso a necessidade de atenção redobrada nesta faixa etária.
A transmissão do novo coronavírus ocorre de forma semelhante a outros quadros respiratórios, ou seja, pelo ar ou contato com secreções respiratórias, como gotículas de saliva, espirro, tosse, pelas mãos que encostaram em objetos,
pessoas ou superfícies contaminadas e depois tocaram boca, olhos ou nariz. Os sintomas podem iniciar após o período de incubação que varia de 5 a 12 dias, porém vale ressaltar que boa parte das pessoas pode permanecer assintomáticas e mesmo assim transmitir o vírus.
O paciente com a doença COVID-19 costuma apresentar febre (pode estar ausente em idosos), tosse, falta de ar, dores musculares, fadiga e, em alguns casos, diarréia. Porém a perda de olfato precoce (anosmia), um sintoma relativamente comum em infecções virais de vias aéreas superiores (IVAS), tem sido relatado em estudos recentes, muitas vezes antes das manifestações de qualquer outro sintoma.
Evidências preliminares de anosmia em 30% dos pacientes com COVID-19 em Daegu, na Coreia do Sul, e de 2/3 dos pacientes com COVID-19 em Heinsberg, na Alemanha, alertaram os médicos quanto à possibilidade da anosmia ser um sintoma de alarme para o COVID-19. Apesar de não haver evidência robusta, a Academia Brasileira de Rinologia, Órgão da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, orienta que a presença de anosmia súbita (com ou sem perda do paladar – ageusia, e sem obstrução nasal concomitante) talvez possa sugerir COVID-19 neste cenário de pandemia e transmissão sustentada do vírus SARS-CoV-2, e sugere que pacientes nestas condições sejam orientados a realizar isolamento domiciliar por 14 dias e aguardar a resolução do quadro, que parece ser temporária na maioria dos casos. O diagnóstico de certeza do COVID-19 é fornecido através dos testes sorológicos, porém estes estão indicados em casos graves da doença.

Algumas orientações podem ser muito úteis na proteção contra a transmissão do novo coronavírus:

– Lave com frequência as mãos até a altura dos punhos, com água e sabão ou então higienize com álcool em gel 70%.
– Ao tossir ou espirrar, cubra nariz e boca com lenço ou com o braço, e não com as mãos.
– Evite tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas. Ao tocar, lave sempre as mãos como já indicado.
– Mantenha uma distância mínima cerca de 2 metros de qualquer pessoa tossindo ou espirrando.
– Evite abraços, beijos e apertos de mãos.
– Higienize com frequência o celular e brinquedos das crianças.
– Não compartilhe objetos de uso pessoal, como talheres, toalhas, pratos e copos.
– Evite aglomerações e mantenha os ambientes limpos e bem ventilados.
– Se estiver doente, evite contato físico com outras pessoas, principalmente, idosos e doentes crônicos e fique em casa
até melhorar.
– Durma bem, tenha uma alimentação saudável e faça atividade física.

O distanciamento social se impõe como uma medida drástica, mas essencial no sentido de se evitar a disseminação do vírus. Devemos ter em mente a diferença entre isolamento – que é a restrição de circulação do indivíduo que testou positivo para SARS-CoV-2 – quarentena – no caso, a pessoa que teve contato com alguém com a doença e aguarda manifestação dos sintomas – e o distanciamento social, que é a pessoa que contribui para reduzir o risco de
transmissão.

A otorrinolaringologista Vanessa Ramos Pires Dinarte (CRM 109244) é doutora pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo – USP. Diretora do Ambulatório Médico de Especialidades Mário Covas – FAMEMA. Atende na Clínica Pires Dinarte, que fica na Rua Coronel José Brás, 975. Telefone (14) 3301-9176. E-mail: [email protected]
Instagram: @vanessadinarteotorrino.

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