O poder das fakes news

A irresponsabilidade cibernética e o impacto avassalador da má notícia
Você já observou que as más notícias correm mais aceleradamente do que as boas? Você já notou que as más notícias permeiam a mídia em proporção três para um, em relação as boas notícias? Basta assistir ao jornal ou abrir um site de notícias para evidenciar estes dados intrigantes. Pior...
Já se atinou de que a má notícia traz um efeito exponencialmente maior sobre a sociedade do que a boa notícia? Dizem que, em razão da má notícia gerar maior impacto, traz maior repercussão. Com maior repercussão é logo aceita como verdadeira e, uma vez aceita como verdade, traz desdobramentos no mínimo controversos, alguns devastadores.
Os pesquisadores afirmam que somos geneticamente programados para acreditar mais nas más do que nas boas notícias. Nossos cérebros, segundo os neurocientistas, processam informações negativas de um jeito diferente e as armazenam de forma a estarem mais acessíveis que as positivas.
Um neurologista comprovou isso mostrando a pessoas imagens de coisas conhecidas, como pizzas e Ferraris, para estimular sensações positivas, e outras, como um rosto mutilado e um gato morto, por exemplo, para despertar outro tipo de reação.
A partir desse experimento, ele mediu a atividade elétrica no cérebro e constatou que respondemos mais fortemente a imagens negativas. Acontece que más ou falsas notícias podem ser acatadas ou confrontadas. Lembre-se de que estamos em ano eleitoral e muitas más notícias e incontáveis boatos vão entupir os grupos de wathapp e nossos facebooks.
Creio que a sociedade, mais do que nunca, precisa instalar filtros e estabelecer critérios para aceitar ou confrontar, crer ou descrer nas más notícias e nas fake news. Lya Luft, psicóloga e escritora renomada, em sua coluna Ponto de Vista, alerta que um povo pouco informado acredita no primeiro demagogo que aparece e, por cegueira ou por carência, segue o caminho de seu próprio infortúnio. Podemos responder às más e às falsas notícias de algumas formas:
 
1) Rejeitando. Protegemos nossa integridade emocional quando não entramos no fogo cruzado das más e das falsas notícias. O Dr. Cristiano Nabuco de Abreu, psicólogo e professor do Instituto de psiquiatria da Universidade de São Paulo, nos lembra da importância que os neurônios–espelho exercem em nosso comportamento.
Quanto mais expostos a determinada experiência (positiva ou negativa) temos maior possibilidade de nos tornarmos insensíveis à situação vivida ou assistida. Aos poucos tornamo-nos insensíveis aos que sofrem com guerras, fome, conflitos, catástrofes, afinal elas estão aí a cada começo de noite no telejornal ou nas páginas das revistas.
Tornamo-nos incompassíveis e insensíveis porque acostumamo-nos com a tragédia. Isto chama-se tolerância psicológica alargada. A partir desta ideia passei a reverenciar ainda mais o termo Evangelho, que no grego evanguélion, significa “boa notícia”. O Evangelho de Cristo é a boa notícia que nos sensibiliza.
 
2) Confrontando. Podemos aguçar nossos filtros e contra-atacar aquilo que chega aos nossos ouvidos como a última e absoluta verdade. Bill Gates acredita que uma grande parte do sucesso da Microsoft acontece porque as más notícias são confrontadas e não evitadas.
Ele diz: “Penso que o trabalho mais importante do presidente de uma empresa é ouvir as más notícias. Se você não agir em relação a essas informações, seu pessoal irá parar de trazer notícias a você. E isso é o início do fim”. A má notícia confrontada pode ser a matéria prima para a verdade lucidada.
 
3) Multiplicando as boas e verdadeiras notícias. Como é agradável e rara a postura daquele que mede as palavras e quando se pronuncia, o faz com segurança. Por estes dias li sobre um adolescente norte-americano que acreditou que as boas notícias são terapêuticas, no mundo cada vez mais deprimente.
Aos doze anos, ele criou um site especializado em cobrir tudo de bom que acontece no mundo e só transmite boas notícias. O tal site do qual Max Jones, de Orlando (Flórida) é o apresentador principal, recebe cinco mil visitas diárias e conseguiu atrair colaboradores adolescentes de todo o mundo para enviar textos e vídeos.
O sábio Salomão já nos alertava que "uma palavra dita a seu tempo é como maçãs de ouro em bandejas de prata." (Pv 25:11). Não se trata unicamente da beleza do objeto de decoração, mas do processo de purificação pelo qual a prata e o ouro passam, a altíssimas temperaturas para finalmente lhes conferir valor e crédito. Que sejam assim as notícias que ouvimos ou reproduzimos. Que Deus nos faça mais sábios! 
 
Rev. Marcos Kopeska é bacharel em Teologia pela UMESP (Universidade Metodista de São Paulo), cursando pós graduação em Terapia Familiar Sistêmica pelo INDEP (Instituto de Pós Graduação), pastor da 3ª IPI de Marília, escritor e articulista.
 
Dra. Miriam Rodrigues B. Montanheiro é graduada em Adm. de Empresas e Psicologia Clínica, pós graduada em Administração Pública e Psicoterapia. Atua como Psicóloga Clínica e vereadora e membro da IPI de Sto. Antônio da Platina (PR).

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