Leishmaniose visceral

Tratamento é permitido desde 2018, mas prevenção ainda é o melhor remédio
Relativamente novos na cidade, os primeiros relatos da leishmaniose visceral em Marília é de 2011. Desde então, os números de casos aumentam. Diferente da leishmaniose cutânea (tegumentar), que costuma causar úlceras na pele e nas mucosas das vias aéreas superiores, a visceral é uma forma mais agressiva da doença, podendo levar a morte.
Transmitida pelo flebótomo, conhecido popularmente como “mosquito palha”, a leishmaniose tem o cão como principal hospedeiro urbano, contudo seres humanos, gatos, cavalos, animais silvestres, entre outros, também podem contrair a doença.
“A transmissão ocorre obrigatoriamente pelo mosquito infectado. Outras formas seriam a transfusão de sangue, contato sexual e através do parto. Por isso, uma das recomendações ao sabermos que o animal é positivo é a castração”, afirma o médico veterinário Rogério Fioroni. “É uma doença infecciosa, com uma forma específica de transmissão. Portanto, o contato com o animal doente não acarreta risco a saúde do proprietário. E como qualquer animal doente, requer tratamento”, completa o profissional.
 
SINTOMAS
Os sinais clínicos da leishmaniose em cães são diversos, podendo incluir tosse, sangramento nasal, urina com sangue, diarreia, vômito, febre, queda de pelo, emagrecimento, aumento de fígado e baço, crescimento exagerado de unhas, entre outros. Portanto, em caso de suspeita, é importante procurar o médico veterinário de sua confiança.
 
TRATAMENTO
Até 2018, o tratamento da leishmaniose em animais não era permitido, pois não é possível utilizar produtos não registrados no Ministério da Agricultura. “As medicações importadas são utilizadas com sucesso no exterior. Contudo carecem de registro nos órgãos competentes. Também não é permitido utilizar medicação de uso humano neste tratamento veterinário”.
Mas a perspectiva para os cãezinhos afetados mudou no início de 2018, quando houve a liberação de um medicamento de uso exclusivo veterinário registrado pelo Ministério da Agricultura, finalmente permitindo a preservação da vida desses cães. “O tratamento foi então autorizado, com regras a serem seguidas”, salienta Fioroni.
Uma dessas regras é que o tratamento só seja feito em casos positivos – o que representa um verdadeiro desafio para a medicina veterinária. “Por vezes o diagnóstico é feito de maneira simples e rápida, pois um caso positivo chega com o exame também positivo. Contudo, há situações em temos convicção clínica de que o animal é positivo, mas os exames são negativos – ou na verdade, falsos negativos. São casos de difícil diagnóstico laboratorial, pois o parasita pode estar escondido na medula ou algum órgão, e não conseguimos localizar facilmente. Então a investigação pode se tornar onerosa, e nem sempre o proprietário autoriza”.
 
PREVENÇÃO
Apesar do tratamento ser permitido, isso não faz com que a leishmaniose se torne menos severa. “É uma doença extremamente grave. Muitos animais nem mesmo suportam até o final do tratamento. Além disso, a doença não tem cura definitiva. E o animal precisará de acompanhamento, com visitas frequentes ao veterinário e exames”, detalha. “Na minha ótica pessoal acredito que, dessa forma, seja mais interessante a adoção de medidas preventivas”, completa o profissional.
Sendo a doença transmitida pelo flebótomo, é interessante, portanto, que o animal use medidas repelentes contra o mosquito. “Mesmo o animal tratado continua sendo um potencial transmissor da doença. E como forma de prevenção mais eficaz contra a picada, temos hoje no mercado três tipos de coleira apontadas em estudos com potencial para repelir o mosquito transmissor, assim como o uso de algumas pipetas. Há também a opção da vacina, mas há um manejo bastante meticuloso para que esta seja considerada eficaz”.
O profissional ressalta que, particularmente, recomenda a vacina seja associada à outra forma repelente: “A vacina é aplicada em três doses na primeira vez, com reforços anuais em dose única. O procedimento padrão para a vacina envolve um exame de sangue e a aplicação de um repelente. A partir da coleta de sangue é preciso se certificar de que ele não haverá possibilidade de uma contaminação. Com o resultado negativo em mãos, e sem qualquer suspeita clínica, iniciamos com a primeira dose; a segunda dose é dada após 21 dias; e por fim, a terceira, após outros 21 dias. O repelente precisa acompanhar o cão até pelo menos 21 dias depois da terceira dose para garantir uma proteção eficaz. E o prazo anual também deverá ser respeitado”.
Fiorini pontua ainda que a vacina é feita contra a leishmaniose, não contra a leishmania. Isso quer dizer que o animal poderá ser portador da doença, sem manifestá-la. Por isso, ainda será um potencial transmissor, sendo importante a adoção de medidas repelentes para garantir a saúde de todos que convivem ao seu redor.
 
SAIBA MAIS
Para outras informações, entre em contato com o médico veterinário Rogério Moretti Fioroni (CRMV 11.010), pós-graduado em doenças infecciosas e zoonoses em cães e gatos pela Unesp/Botucatu. O profissional atende na Clínica Veterinária Planeta Animal, na Rua Sorocaba, 91. Os telefones são (14) 3433-5656 ou (14) 3432-5018.
 
 

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